PÉ DE CAFÉ
         
      
 
    

POSTS
 
SEXTA, 07 DE MAIO DE 2010 | 10:09
 
» Detalhes no processo de secagem
 
Share |
 

Com a colheita já iniciada os primeiros lotes de CD já estão no terreiro.
Nesta safra a casca parece estar mais fina em relação ao ano passado, o que facilita o processo e melhora a renda.
Uma vez no terreiro, os cafés descascados são rodados em camadas bem finas, para evitarmos as fermentações indesejáveis.

cafe CD

Entretanto, ao atingirem a chamada meia seca, com cerca de 18% de umidade, é interessante “atrasar” o processo para obtermos uma secagem final mais homogenia.
Parece complicado, mas a explicação é bem simples. Vejam:

A água presente nos grãos encontra-se distribuída tanto nas camadas mais externas, como nas mais internas, no centro dos grãos. Na camada externa, que está em contato direto com o calor, a água é retirada primeiro. Já nas camadas mais internas a água precisa migrar, saindo do centro do grão em direção das camadas mais externas para então ser retirada pelo calor.
Imaginem agora que todo o processo de secagem ocorra muito rápido. O resultado seriam grãos com seca irregular, manchados, pois a água presente nas camadas mais internas não teria tempo suficiente para migrarem e completarem o processo de secagem.

Essa é a finalidade deste “atraso”: Disponibilizar tempo para a total migração da água presente no interior dos grãos, fazendo com que a seca fique uniforme e com melhor aspecto visual.
Mesmo sendo simples na prática a história é outra. Um pequeno cafeicultor que produz, por exemplo, 100 sacas de café beneficiado, tem em suas mãos cerca de 48.000 litros de grãos para secar. E estes grãos podem estar sujeitos a chuvas, ventos, dias com muito ou pouco sol, e todos os demais efeitos do clima.

Usando o mesmo raciocínio, uma fazenda que colhe 10.000 sacas de café beneficiado tem um volume médio de 4.800.000 litros de grãos para secar! Qualquer descuido e o processo fica comprometido. Dessa forma torna-se necessário o uso de secadores mecânicos, fornalhas e caldeiras para garantir uma melhor qualidade final.

Notem que a uniformidade da seca também vai refletir diretamente no processo de torra. Será que teremos uma torra igual em grãos com maior umidade em seu interior? E o aroma e sabor final da bebida, podem ser afetados?
Aproveitam para refletir degustando uma bela xícara de café.
Boa semama!

 
Comentar o post
 


© Pé de Café | Desenvolvimento: swTH Scuzinet



  

  
 
» 10 últimos posts
 
» Seleção setembro/2014 - Fresquinho!
 
» Degustação de agosto/2014
 
» Seleção agosto/2014 - Raridade
 
» Degustação de julho/2014
 
» Seleção julho/2014 - Delicado
 
» Degustação de junho/2014
 
» Seleção junho/2014 - Gostinho de quero mais!
 
» Degustação de maio/2014
 
» Seleção maio/2014 - Tamanho não é documento
 
» Degustação de fevereiro/2014